Círculo de conversas pós vôlei

Por Guilherme Braga
Círculo de conversas pós vôlei

Contexto

Nesta segunda-feira, após uma jogatina noturna de vôlei como de costume, eu e meus amigos começamos a conversar naquele final de jogo e apareceu naturalmente o tema de espiritualidade e religião. Falamos sobre algumas experiências e, como a maioria ali não é cristã, eles falaram sobre experiências nas outras religiões. No meio disso, falamos também sobre Cristo, sobre a Escritura e experiências que nós (os cristãos que estavam ali) já vivemos. Bem, na verdade quem mais falou foi uma amiga, porque eu preferi ficar calado.

Aparências

Ao longo da conversa, eu queria falar mais sobre minhas experiências com Cristo, mas eu não me sentiria bem falando de Jesus e fingindo estar cheio do Espírito sabendo que não, eu não estou. Em meio aos pensamentos, me veio à cabeça o seguinte: cara, é muito bom falar sobre Deus e tudo o que ele é, as coisas que ele proporciona, e viver uma vida de intimidade com ele, mas do que adianta saírem de sua boca essas coisas em uma roda se você está vivendo o oposto disso tudo? Com "você", me refiro a mim mesmo.

Nota: "Viver uma vida de intimidade com ele" não é ir à igreja uma vez por semana, muito menos ir para a igreja três vezes ou cinco vezes na semana. A igreja (templo) ou estar com a igreja (pessoas cristãs em comunhão) é muito bom no geral, mas sem exageros. Viver uma vida de intimidade com o Senhor é ter comunhão com o próprio Deus, e isso é mais complexo do que a aparência exterior pode demonstrar.

Mas, voltando ao assunto, eu comecei a refletir sobre isso depois, enquanto voltava para casa. A real é que eu não sei quando Jesus vai voltar, poderia ser amanhã, e eu sei que, se fosse amanhã e se eu permanecesse do jeito que estou, eu não seria salvo. Sério, eu tenho plena ciência disso, e isso é de fato desesperador, mas eu não estou desesperado; estou apenas indiferente quanto a isso, como se no fundo eu quisesse e soubesse que tenho que mudar, mas na superfície eu não quero, por querer continuar vivendo minha vida do jeito que está e saber que renunciar a muitas coisas seria muito difícil. Sendo assim, espero que Jesus não volte amanhã.

Uma vida com Cristo

A real é que ter vivido coisas extraordinárias com Cristo não te impede de se afastar dele, nunca impediu. O mundo é atrativo, as renúncias doem e são difíceis, e, às vezes, até as coisas mais comuns do seu dia, como ter que trabalhar ou estudar, te afastam de Deus. É muito fácil você querer ocupar o seu tempo com coisas que são nobres no lugar do seu tempo com Cristo, porque essas coisas vivem voltando para te atormentar. Sério, quantas e quantas vezes vêm na nossa cabeça a ansiedade e a preocupação com o futuro? Sabemos que, para melhorar essa questão ou ter pelo menos mais conforto, estabilidade e controle do que está por vir, precisamos ocupar nosso tempo nos desenvolvendo, mas às vezes esse tempo é curto demais.

Trabalho das 8h às 18h; das 18h às 22h, se você não faz uma faculdade, o tempo livre é maior, mas se você tem tempo livre vai querer cuidar da sua saúde por pelo menos uma hora em uma academia ou esporte e, quando chegar em casa, vai querer estudar algo para o seu futuro. Essa seria uma rotina semelhante à minha, mas sei que há pessoas com rotinas bem mais difíceis e que precisam dar um jeito. Além disso, aqui nem colocamos as variáveis que sempre aparecem, como preguiça ou cansaço; então, sim, é muito fácil você ir deixando a Bíblia e a oração de lado porque qualquer outra coisa no seu tempo livre vai ser mais atrativa.

Por isso, eu nunca acreditei na teologia de "uma vez salvo, salvo para sempre" ou "o escolhido não tem escolha". A real é que, se você quiser se afastar de Deus e viver sua vida conforme quiser, você consegue.

E, no meio da roda, é quase irônico olhar para os meus amigos que seguem ou tiveram experiências com outras religiões que eu sei que são erradas, desejar que eles conheçam a Cristo e, por trás das cortinas, eu mesmo não estar bem com Deus. É tipo uma sátira kskzkz. Mas, de fato, eu queria muito que eles conhecessem a Deus de verdade, da mesma forma que um dia ele se revelou a mim, e eu sei que com cada um seria uma experiência diferente, porque é o Senhor que conhece o mais íntimo do nosso ser.